Week 23 – Making of | Semana 23

(português abaixo)

Neverwhere, one of my all time favourite books by Neil Gaiman. Especially since I discovered the story behind it, what drove him to create it. I read it for the first time only a few years ago and loved it. The idea of another, hidden world inside ours, like another dimension coexisting in the same place but not within the same time frame (“There are little pockets of old time in London, where things and places stay the same, like bubbles in amber.”) is something that really appeals to me. I found out this novel is intended as a social criticism: all the socially ‘invisible’ people, the homeless, the drug addicts, the unwanted, that roam the streets are part of this other dimension. And once you enter this other dimension, the ‘London Below’, you immediately become invisible to those of the ‘London Above’.  Such a clever twist and accurate idea! I love it!

Because the story is based on so many of London’s landmarks and metro stations, the publishers changed a few things once the book crossed the ocean and it was never translated. Which is really a shame (Correction: I just found a translation into portuguese I didn’t know existed). You don’t need to know a city well in order to appreciate Neverwhere. Though I admit it would be a detriment to the story if we had to translate the names of the stations so the story could make sense to the non-english reader. But then, maybe this layer could be lost? A small(ish) loss for a greater gain? I don’t know. I’m glad I’m not the one making these decisions anyway. 😀

This quote has been sitting in my notebook for a while, waiting. And it’s only now that I’m beginning to see how the images I work in are so intrinsically related to my emotional state. A couple of weeks ago I was full of hope and joy as my image of the week attested, and then stuff happened that plunged me into a dark time – therefore, the dark image. Now that the darkness has passed, it’s interesting to see how a quote that’s been in my book for a while can suddenly come alive and inspire me to work on it for the image of the week.

In the book, when you get to this point where the quote is, one of the main characters has helped a girl from the ‘London Below’ and become invisible by association to the world above. So he goes looking for anyone who can help and ends up in the London Below where he has to cross this bridge with a group of people in order to meet the only person who can help him. The bridge’s name is Night’s Bridge. And in the book, the names are literal, accurate descriptions of the places and things themselves. As they cross, the quote happens, they have to cross this darkness and one of them is devoured by it in the process.

For me, in the midst of my bad days I could really relate to the quote in feeling like I was being eaten alive by this darkness, that it was trying to shut me down and blow out my light. Good thing I came out the other side, with my light intact and maybe a little stronger than it was before going through it. 🙂

Now that my project is almost halfway through my friends usually get excited when I talked to them about it or when they see the images. So it wasn’t difficult to get a couple of them to model for me. 🙂 Keren, the hand model, was even excited about having her hands painted black. 😀 And Lis was a doll, being willing to get a bit of paint smeared off on her face as well while we were shooting.

I had everything set up before they arrived so when they came I just went straight to work on the body paint. For that I used gouache paint that dries fast and is easy to come off. Plus, it dries to a matte finish which I like much better than bright finishing paints:

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I had Lis taking these first two pictures to make sure we had the first bit documented. 😉

Then we started the shoot. And this time, since it was early afternoon, and inspired by a book I read by Annie Leibovitz and the way she shoots, I decided to use only natural light and the light of the candle. The flash is sitting there but it wasn’t used.

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We had a lot of fun during the shoot as you can see in the image below. So, even though the final image was scary, the shoot itself was far from it! 😀

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Once I was done shooting Keren’s hands on Lis’ face I had to shoot some extra hands. That did not happen the way I had anticipated because I needed to shoot the images slightly lighter so I would be able to cut them out to transfer them into the final image and edit them. No flash still, but I did turn on the lights.

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Here’s all three of us once the shoot was done and over with. 🙂 I am so thankful for friends who have been willing and excited to partner with me in these crazy visual adventures! 😀

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Once we were done with the shoot the other part commenced. You can see the process, from Lightroom to Photoshop to final image here in this short video. I hope you enjoyed reading about the process it takes from the quote to the execution and final image. It is a lot of work, but we have much fun in the process! 🙂


Lugar Nenhum, um dos meus livros favoritos do Neil Gaiman. Especialmente depois que descobri a história por trás, o que o levou a escrever esta história. Li pela primeira vez há poucos anos atrás e amei. Esta idéia de um outro mundo, escondido dentro do nosso, como outra dimensão que coexiste no mesmo lugar mas não dentro do mesmo tempo (“há pequenos bolsos de tempos antigos em Londres, onde as coisas e lugares permanecem os mesmos, como bolhas no âmbar.”) é algo que mexe comigo. Quando descobri que a intenção do livro é uma crítica social onde todas as pessoas ‘invisíveis’, os moradores de rua, os viciados, os pobres, que rondam as ruas são parte desta outra dimensão, achei genial. E uma vez que você entra nesta outra Londres, a ‘Londres De Baixo’ você imediatamente se torna invisível para as pessoas da ‘Londres de Cima’. Uma idéia genial e muito verdadeira! Amei!

Como a história é baseada em nos lugares e estações de metrô da cidade de Londres, os editores decidiram mudar algumas coisas quando o livro cruzou o oceano. Mas nunca foi traduzido, pelo menos que eu tenha conhecimento (Correção: acabei de encontrar a tradução a venda na Amazon que eu não sabia que existia). O que é um pena. você não precisa conhecer bem a cidade para apreciar Lugar Nenhum. Mas tenho que admitir que seria uma perda para a história ter que traduzir os nomes dos lugares para que a história pudesse fazer sentido a alguém que não fala inglês. Mas quem sabe dava e esta camada poderia ser perdida? Uma pequena perda por um bem maior, talvez? Não sei. Ainda bem que não sou eu quem tem que tomar estas decisões. 😀

A frase desta semana ficou lá, quietinha, esperando, no meu caderno por um tempo. E é só agora que estou começando a perceber como as imagens que faço estão tão intrinsicamente relacionadas ao meu estado emocional. Há algumas semanas eu estava cheia de alegria e esperança como minha imagem da semana demonstrou. Então algumas coisas aconteceram que me deixaram no escuro – portanto a imagem escura. A escuridão passou, graças a Deus, mas é interessante ver como uma frase que estava no meu caderno por um tempo de repente tomou vida e me inspirou a trabalhar naquela imagem naquela semana.

No livro, quando você chega neste ponto, um dos personagens principais ajudou uma menina da ‘Londres de Baixo’ e consequentemente se tornou invisível por associação ao mundo de Cima. Portanto ele sai em busca de alguém que possa ajudá-lo na Londres de Baixo onde ele precisa atravessar uma ponte com um grupo de pessoas para conseguir encontrar a única pessoa que pode ajudá-lo. O nome da ponte é ‘Night’s Bridge’ ou ‘Ponte da Noite’. E no livro, os nomes dos lugares são descrições literais e concretas dos lugares e coisas. Enquanto cruzam a ponte, onde a frase aparece – eles precisam cruzar a escuridão e um deles é devorado pela escuridão no processo.

Para mim, no meio dos dias maus eu me sentia como na frase, como se estivesse sendo engolida pela escuridão, que ela tentava me apagar e à minha luz. Ainda bem que consegui atravessar para o outro lado com a luz intacta e talvez um pouco mais forte por ter passado pela escuridão. 🙂

Agora que já estou quase na metade do projeto, meus amigos normalmente ficam empolgados quando falo dele ou quando vêem as imagens. Então não foi difícil conseguir duas para serem minhas modelos. 🙂 A Keren, a modelo das mãos, até ficou empolgada em ter as mãos pintadas de preto. 😀 E a Lis foi uma querida deixando sujar seu rosto com um pouco de tinta enquanto fazíamos as fotos.

Deixei tudo preparado antes delas chegarem e uma vez que entraram pude começar imediatamente com a tinta. Usei tinta guache que seca rápido e é fácil de tirar. Além disso, quando seca fica fosca, o que eu prefiro à que uma tinta brilhante. Você pode ver um pouco do processo nas primeiras duas fotos do post.

Pedi para a Lis fotografar as duas primeiras fotos para termos certeza de que teríamos esta parte bem documentada. 😉

Aí começamos a fotografar. Desta vez, como era de tarde e inspirada por um livro que li da Annie Leibovitz e o modo como ela fotografa, decidi usar apenas a luz natural e a luz da vela. O flash estava montado mas não usei. Você pode ver um pouco de como foi nas fotos acima.

Foi super divertido nosso tempo, como a imagem da Lis rindo pode atestar. Mesmo que o tema fosse pesado e a imagem final fosse assustadora o ensaio em si foi bem diferente disto! 😀

Uma vez terminadas as fotos das mãos da Keren no rosto da Lis eu precisava fotografar umas mãos extra. Precisei fazer umas modificações porque precisei fotografar as mãos com um pouco mais de luz para que eu pudesse recorta-las e transferi-las para a imagem final e edita-las. Ainda sem flash, mas acendi a luz do teto como você pode ver na foto.

A última foto é de nós três quando terminamos tudo. 🙂 Sou muito grata por amigas (e amigos) que tem se disposto e se empolgado para serem meus parceiros e modelos nestas loucas aventuras visuais! 😀

Terminadas as fotos a outra parte começou. Você pode ver o processo todo, desde o Lightroom até o Photoshop e a imagem final no vídeo acima. Espero que tenha curtido ler sobre o process de criação desde a frase até a execução da imagem final. É bastante trabalho, mas vale á pena e nos divertimos muito no processo! 🙂

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